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Educação abaixo de Braga (continuação)

A caminho do trabalho, e numa fogaz discussão entre o intermitente pára – arranca do trânsito bracarense, veio à baila a já corriqueira discussão sobre a Educação e o Futuro. Por entre a esgrima de argumentos mútua, finalmente um consenso: é necessário repensar a oferta educativa/formativa, e enquadrá-la num projecto a longo prazo para o nosso país. Após este consenso alargado, e não muito mais do que isto, pois o trajecto findava logo a seguir à rotunda do novo hospital, comecei a pensar nos entraves a esta brilhante, mas já badalada ideia. Será possível enquadrar a nossa oferta educativa/formativa num projecto para o país, se o próprio não tem projecto para os seus cidadãos? Claro que não!

O país vive à semelhança da generalidade das famílias, a contas com os vários encargos do dia-a-dia, e sem olhar para lá do que a vista alcança: o défice. Contudo, não é possível ser sustentável sem planear a longo prazo. Compreender a racionalidade das políticas de austeridade (ver a luz ao fundo do túnel/almejar um objectivo), é o primeiro passo para a aceitação social das mesmas. No entanto, para a maioria dos portugueses, na qual me incluo, compreender os meandros da crise internacional é já algo complexo. Ou seja, fazer sacrifícios para algo que não compreendemos será racional?      Continuar lendo

O Eu ou o Nós?

O Crepúsculo do dever ou o fim da cultura moralizadora, assim caracteriza Gilles Lipovetsky a sociedade do novo século, que tem respondido à crise de uma forma muito peculiar, em comparação com as anteriores provações sociais. Não é indiferente, a forte resiliência com que as sociedades ocidentais têm encarado a necessidade de um esforço colectivo perante a crise. Actualmente a sociedade do self-interest reina na maioria dos países ocidentais. Findas as décadas de repressão moralizadora das primeiras democracias, ainda fortemente marcadas por um lastro de autoritarismo, e por uma faceta paternalista, foi-se esbatendo ao longo do tempo os valores colectivos e sobretudo o sentido patriótico que mediavam a vida em sociedade. O tendencial fim da obrigação, a fobia às regras e ao sacrifício, marcam o espírito das pessoas no actual século. A equação entre o Eu ou o Nós tende invariavelmente a pesar para o interesse pessoal.

A título de exemplo, a indiferença com que a actual sociedade portuguesa vivencia datas tão significativas como o 25 de Abril ou 5 de Outubro, é sintomático do actual estado da mesma, no que respeita ao passado histórico, ao sentimento de pertença, mas sobretudo à memória colectiva. O interesse próprio sobrepõe-se ao bem-estar colectivo, e o actual modelo económico da “sociedade de consumo” soube habilmente tirar partido deste clima de egocentrismo, procura de satisfação pessoal e vaidade. É certo, que a emergência de uma sociedade laica, menos moralizadora, e mais sensível aos problemas subjectivos do indivíduo, era uma necessidade reconhecida e premente, no entanto, o caminho para a secularização da moral, e para a laicidade do estado, corre em paralelo com o caminho para uma sociedade de irresponsabilidade colectiva, desgoverno moral e perda de valores comuns.

As lutas sociais em defesa dos direitos adquiridos estão despojadas do significado real, revestem-se de um devaneio ideológico, acicatado pelos partidos e sindicatos de esquerda, que há já muito tempo esvaziaram o sentido ideológico real das suas acções e preocupações. Os cidadãos estão notoriamente mais preocupados com a perda do direito a um subsídio ou a alguma regalia, do que propriamente com a luta de classes ou com os direitos de determinado grupo profissional. A aparente paz social que se vive perante as políticas de austeridade, são uma ilusão temporária que vai resistindo fruto de um país de aparentes “brando costumes”, adiando assim os já expectáveis tumultos sociais.

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Reinventar o Espaço Público

Não podemos deixar de nos espantar, ou ficar indiferentes, perante as sucessivas notícias que dão conta da ruína (há muito anunciada pelos mais iluminados profetas da desgraça, Medina Carreira, Marcelo R. de Sousa, entre outros) deste pobre país “à beira mar plantado”. É certo que, este caldo de crise política não é novidade na ementa do quotidiano dos portugueses, no entanto, os contornos que tem assumido a actual crise internacional, e o tratamento que este tema tem sido alvo por parte dos órgãos de comunicação social, trás à praça pública uma série de novas variáveis, que deveriam preocupar até o mais leigo cidadão desta “sociedade do conhecimento”. E é sobretudo o conhecimento e o actual escrutínio de informação por parte dos media, que despertaram os mais altos desígnios da minha consciência cívica, para escrever este artigo de alerta.

Reduzimos actualmente o nosso espaço público de discussão ao que é transmitido pelas televisões, a chuva noticiosa dos últimos meses que tem feito transbordar até a paciência do mais razoável cidadão, tem como efeito perverso, ao contrário do que pensam esses sábios das equipas de redacção, a desinformação. Conduz a uma passividade que corrói os pilares da democracia, na medida em que confunde os cidadãos com constantes ditos e desditos, num bailado de mau jornalismo, que em muitos casos persiste em trazer ao debate nomes pouco credíveis ou até mesmo com provas dadas no capítulo da incompetência política.

Persistimos, segundo o filósofo José Gil numa “não-inscrição” (significa que os acontecimentos não influenciam a nossa vida, como se não acontecessem), persistimos em dar abrigo mediático a personalidades que de tanto errarem no capítulo público e nomeadamente político, deveriam desaparecer de um espaço que infelizmente se assume como o único e quase exclusivo espaço de discussão. Mediatizar estes indivíduos, traduz-se na promoção de um clima de absolvição social perante o crime, a incompetência, e a pobreza de espírito.

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