Educação abaixo de Braga (continuação)

A caminho do trabalho, e numa fogaz discussão entre o intermitente pára – arranca do trânsito bracarense, veio à baila a já corriqueira discussão sobre a Educação e o Futuro. Por entre a esgrima de argumentos mútua, finalmente um consenso: é necessário repensar a oferta educativa/formativa, e enquadrá-la num projecto a longo prazo para o nosso país. Após este consenso alargado, e não muito mais do que isto, pois o trajecto findava logo a seguir à rotunda do novo hospital, comecei a pensar nos entraves a esta brilhante, mas já badalada ideia. Será possível enquadrar a nossa oferta educativa/formativa num projecto para o país, se o próprio não tem projecto para os seus cidadãos? Claro que não!

O país vive à semelhança da generalidade das famílias, a contas com os vários encargos do dia-a-dia, e sem olhar para lá do que a vista alcança: o défice. Contudo, não é possível ser sustentável sem planear a longo prazo. Compreender a racionalidade das políticas de austeridade (ver a luz ao fundo do túnel/almejar um objectivo), é o primeiro passo para a aceitação social das mesmas. No entanto, para a maioria dos portugueses, na qual me incluo, compreender os meandros da crise internacional é já algo complexo. Ou seja, fazer sacrifícios para algo que não compreendemos será racional?     

Numa época em que as famílias sentem uma crescente dificuldade para manter os filhos a estudar, importa reflectir sobre o seguinte, será a educação e a formação a saída futura para a crise? É importante relembrar que a crise é conjuntural, mas pelo contrário, a educação é estrutural para o desenvolvimento e sucesso futuro dos indivíduos e das sociedades. A falta de cultura de poupança e de aprovisionamento, dificulta a continuação dos estudos dos jovens, principalmente após a frequência do ensino obrigatório. Também é verdade, que muito dificilmente as famílias com rendimentos precários conseguem fazer este esforço, contudo, devemos repensar a nossa postura perante o futuro das novas gerações, tentando desta forma salvaguardar o investimento na educação dos mesmos. Cada vez mais, as famílias devem fazer um planeamento para a formação dos filhos, nomeadamente através de conta poupança universitária, à semelhança da cultura dos países anglo-saxónicos.

O actual caminho da austeridade vem aumentar o sufoco de muitas famílias, no que respeita ao custo da educação no orçamento familiar. Vamos assistir à degradação das condições de ensino, nomeadamente através dos cortes para o financiamento ao ensino superior, e às regras cada vez mais restritivas na atribuição de bolsas e incentivos sociais.

Para o melhor aproveitamento escolar, os estudantes devem ter estabilidade económica, mas também psicológica. A constante ansiedade em saber se tem, ou não bolsa de estudo, arrastando o processo meses a fio, não contribui para o melhor ambiente de estudo. A acção social universitária, ou o debate em volta dela, não se pode resumir à discussão da atribuição de bolsas, mas antes, no criar condições para de alguma forma compensar o défice de apoio, ou seja, criar apoios diferenciados, para os alunos mais carenciados.

É verdade que um dos caminhos para a saída da crise, passa pela criatividade dos estudantes, no entanto, a criatividade é algo que deve ser estimulado desde muito cedo, não se pode esperar que o ensino superior suprima os défices de competências individuais, e proporcione todos os conhecimentos necessários para o futuro profissional dos mesmos. Devemos potenciar as nossas redes de contactos informais, envolvermo-nos em novas experiências, como o associativismo, voluntariado, entre outras, para reforçar as competências extracurriculares, e a rede de conhecimentos, fomentando assim mais oportunidades.

Não devemos ter receio da aproximação das universidades com a sociedade civil, nomeadamente com as parcerias do sector privado, pois o reconhecimento social do valor das universidades na comunidade em que estão inseridas, pode representar uma fonte de financiamento e sustentabilidade futura. Neste contexto, é premente repensar a oferta que as universidades públicas dispõem,  na tentativa de aproximar os conhecimentos ao contexto real de trabalho, estimulando assim o intercâmbio entre as universidades e a comunidade. Não se trata de submeter a educação às conveniências do sector privado, antes, estudar propostas que proporcionem proveitos mútuos.

É necessário pensar a longo prazo, e no potencial de criação de riqueza que tem o investimento na educação e formação. A educação não deve ser considerada um encargo dispensável, quer no orçamento familiar, como no orçamento do estado.

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