“Aqueles que acham caro o investimento na educação, tentem a ignorância”.

Numa época em que as famílias, sentem uma crescente dificuldade para manter os filhos a estudar, importa reflectir sobre o seguinte, será a educação e a formação a saída futura para a crise? É importante relembrar que a crise é conjuntural, mas pelo contrário, a educação é estrutural para o desenvolvimento e sucesso futuro dos indivíduos e das sociedades. A falta de cultura de poupança e de aprovisionamento, dificulta a continuação dos estudos dos jovens, principalmente após a frequência do ensino obrigatório. Também é verdade, que muito dificilmente as famílias com rendimentos precários conseguem fazer este esforço, contudo, devemos repensar a nossa postura perante o futuro das novas gerações, tentando desta forma, salvaguardar o investimento na educação dos mesmos. Cada vez mais, as famílias devem fazer um planeamento para a formação dos filhos, nomeadamente através de conta poupança universitária, à semelhança da cultura dos países anglo-saxónicos.

O actual caminho da austeridade vem aumentar o sufoco de muitas famílias, no que respeita ao custo da educação no orçamento familiar. Vamos assistir à degradação das condições de ensino, nomeadamente através dos cortes para o financiamento ao ensino superior, e às regras cada vez mais restritivas na atribuição de bolsas e incentivos sociais. Um dos exemplos claros, das intenções do governo face à educação, aconteceu há poucas semanas, quando o ministério cancelou a entrega de prémios monetários aos melhores alunos dos vários cursos do secundário, a poucos dias da entrega dos mesmos. Uma situação caricata, mas paradigmática, para entendermos o futuro das políticas educativas.

“O prémio de mérito no valor de 500 euros, que distingue os melhores alunos dos vários cursos do ensino secundário de cada uma das escolas do país, foi suspenso pelo actual Governo”. in Público 28.09.2011

Para o melhor aproveitamento escolar, os estudantes devem ter estabilidade económica, mas também psicológica. A constante ansiedade em saber se tem, ou não bolsa de estudo, arrastando o processo meses a fio, não estimulam o melhor ambiente para estudar. A acção social universitária, ou o debate em volta dela, não se pode resumir à discussão da atribuição de bolsas, mas antes, no criar condições para de alguma forma compensar o défice de apoio. Ou seja criar ofertas diferenciadas, para os alunos mais carenciados.

É verdade que um dos caminhos para a saída da crise, passa pela criatividade dos estudantes, no entanto, a criatividade, é algo que deve ser estimulado desde muito cedo, não se pode esperar que o ensino superior suprima os défices de competências individuais, e proporcione todos os conhecimentos necessários para o futuro profissional dos mesmos. Devemos potenciar as nossas redes de contactos informais, envolvermo-nos em novas experiências, como o associativismo, voluntariado, etc, para reforçar as competências extracurriculares, e a rede de conhecimentos, fomentando assim mais oportunidades.

Não devemos ter receio da aproximação da universidade com a sociedade civil, nomeadamente com as parcerias do sector privado, pois o reconhecimento social do valor das universidades na comunidade em que estão inseridas, pode representar uma fonte de financiamento e sustentabilidade futura. Neste contexto, é premente repensar a oferta que as universidades públicas dispõem,  na tentativa de aproximar os conhecimentos ao contexto real de trabalho, estimulando assim o intercâmbio entre as universidades e a comunidade. Não se trata de submeter a educação às conveniências do sector privado, antes, estudar propostas que proporcionem proveitos mútuos.

É necessário pensar a longo prazo, e no potencial de criação de riqueza, que tem o investimento na educação e formação. A Educação não deve ser considerada um encargo dispensável, quer no orçamento familiar, como no orçamento do estado, relembrando uma das mais famosas e acertadas frases do antigo primeiro-ministro José Sócrates: “Aqueles que acham caro o investimento na educação, tentem a ignorância”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: